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Sinais de autismo infantil

14.01.2021
Autismo Cuidados Dica Outros transtornos Sinais

Sinais de autismo infantil podem ser identificados antes dos dois anos de idade e até mesmo em bebês pequenos. Porém, poucas das crianças com TEA são identificadas antes dos 3 anos de idade.

Os gastos com autismo são considerados nos Estados Unidos um dos custos mais altos com doenças, porque incluem educação especial e menor autonomia desses indivíduos quando adultos. A intervenção precoce pode reduzir 2/3 dos custos, pois aumenta muito as chances de essa pessoa ser produtiva e independente no futuro, na vida adulta. Por isso a preocupação tão grande com cuidados rápidos.

É fundamental aceitar o desenvolvimento do seu pequeno como ele é. Assim, no caso de ele apresentar sinais de desenvolvimento atípico, não devemos negá-los, mas levar a criança a um profissional capacitado para avaliá-la.

A intervenção precoce é importante, pois pode aumentar a autonomia e a satisfação pessoal do autista desde cedo!

Sinais de autismo infantil

O exame clínico – diagnosticando os sinais comportamentais

A identificação do TEA é realizada através do exame clínico – neste caso, observação comportamental. Não há ainda exames laboratoriais ou de imagens que relatem com certeza a existência de sinais de autismo, ou seja, não há triagem genética nos quadros clínicos do espectro do autismo. Pedem-se exames genéticos, eventualmente, para investigação de outras alterações. Contudo, o autismo infantil em si ainda não aparece em exames.

Como o TEA tem vários níveis e características, o exame clínico é fundamental para compreender o quadro específico daquela criança específica. Dessa forma, é possível escolher a melhor estratégia, dentre várias, para ajudá-la a desenvolver plenamente as suas potências pessoais.

É importante observarmos os sinais de autismo em crianças desde muito pequenas, pois as chances de melhora são muito maiores devido à neuroplasticidade nessa idade.

Um caso real

Vamos ver uma breve descrição de uma história real para entendermos melhor os benefícios da intervenção precoce?

Eduardo chegou em nossa clínica com 9 meses de idade. Isso mesmo: nove meses. O pediatra me ligou dizendo que estava com um bebê com alguns sinais de autismo: pouco contato visual e pouca interação social. Dudu também estava atrasado no desenvolvimento motor. Os pais prontamente atenderam a indicação do pediatra e levaram o pequeno “baby” ao meu consultório no dia seguinte.

De início, deixei Dudu no tapete, e ele tinha dificuldades para se virar, para acompanhar os chamados, e não compartilhava com os pais (com olhar ou gestos) os brinquedos que eu lhe dava. Dudu também não correspondia às gracinhas que fazíamos com a boca ou com os olhos. Parecia não achar graça. Ria muito pouco, apesar de fazê-lo ocasionalmente.

Os pais estavam confusos, pois apesar de parecer bastante ausente, o bebê brincava de “cadê/achou”. Olhava para os pais nesse momento e ria. Entendia perfeitamente essa brincadeira.

Esse é o exemplo clássico de uma criança que só apresentava alguns traços e não todas as características do autismo.

A terapia

A reação imediata dos pais propiciou que Dudu recebesse estimulações diferentes das tradicionais. Vinha ao consultório com os pais, e estes recebiam dicas estratégicas de estimulações diferenciadas. Dudu também passou a receber estimulações de terapeuta especialista em casa, duas vezes por semana. Nos outros dias a babá ficava incumbida de fazer os exercícios com ele.

Desse modo, Dudu reagiu rapidamente e passou a interagir com mais frequência. Aprendeu a balbuciar com função de comunicação, aprendeu a apontar, e com um ano começou a andar. Hoje, com 3 anos de idade, ele vem ao consultório apenas uma vez por mês para reavaliação e orientação de alguns detalhes novos aos cuidadores. Este é o exemplo perfeito da estimulação precoce. Talvez, se os pais tivessem esperado para ter certeza dos sinais, Dudu estaria muito mais comprometido.

Sinais de alerta

Mas quais são os sinais com que devemos nos alertar? Para isso, vamos ver uma pequena lista com alguns dos comportamentos do desenvolvimento típico das crianças. Assim, se eles faltarem ou estiverem reduzidos, é bom ligar o sinal de alerta e procurar um profissional capacitado!

Se alguns dos comportamentos típicos não forem observados, é bom ligar o sinal de alerta!

6 meses

  • O bebê, desde os primeiros meses, gradativamente começa a mostrar necessidade de interação, tende a virar a cabeça na direção chamada.
  • Começa a compartilhar atenção dos pais, seguindo o olhar da mãe ou do pai quando olham para algo próximo, ou olhando para ela quando vê algo interessante, no sentido de expressar “olha que legal isso! Você viu?!”.
  • Interage com sorrisos, expressões e afeto quando falamos com eles e fazemos “gracinhas”.

12 meses

  • Compartilha ainda mais o olhar dos cuidadores em direção a algo e olha para eles quando vê algo legal.
  • Já sabe quem são seus cuidadores e busca-os com o olhar o tempo todo para se sentirem mais seguros.
  • Busca a face dos adultos para ver suas emoções quando inseguros com algo.
  • Começa a imitar as expressões simples que são ensinadas, tais como fazer barulho com a boca “brrr”, piscar forte, fazer tchau, mandar beijo.
  • Fala palavrinhas simples e soltas com a intenção de se comunicar.

24 meses

  • Usam duas palavrinhas juntas com o objetivo de se comunicar com pequenas frases.
  • Já identificam partes do corpo quando perguntamos, por exemplo: “onde está o joelho?”, ou “onde está a cabeça?”.
  • Já identificam pessoas e objetos, concretos e mesmo abstratos. Assim, quando perguntamos: “cadê a cadeira?”, “filho, onde está o brinquedo do Batman?”, e assim por diante, ele já sabe responder. Ou seja, a memória já é uma função sólida para ele.

Atenção a esses sinais!

Se você conhece alguma criança que não tenha atingido esses marcadores do desenvolvimento, alerte aos pais e incentive a busca por especialistas em desenvolvimento infantil, pois podem ser sinais de autismo. É melhor prevenir do que remediar! Desse modo, a criança terá mais chances de se tornar um adulto autônomo e realizado. E, afinal, não é isso que todos desejamos?

Quer mais dicas sobre autismo infantil? Assista ao vídeo:

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Autor(a): Equipe Instituto Singular

Psicólogas e Terapeutas

Esta dica foi escrita em conjunto por algumas psicólogas e terapeutas do Instituto Singular. Todos os artigos deste site são escritos por profissionais especializados em autismo e desenvolvimento infantil.

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